Zizit é médica e vive na Síria com a filha Maya, de apenas 1 ano. Quando a guerra bate à sua porta, elas precisam fugir, deixando tudo para trás. Elas chegam até a Europa e Zizit, aliviada, acha que o pior já passou. Porém, este era apenas o início de um longo e terrível pesadelo.
Recém-chegada à Grécia, Zizit não tem passaporte ou documentos. Seu destino final é a Suécia. Após dias, ela descobre um homem que diz poder ajudá-la. Zizit sabe que o estranho na verdade é um atravessador de pessoas, e que sua ajuda custará muito dinheiro. Mas ela está desesperada e não tem outra alternativa.
O homem se encarrega de organizar os passaportes falsos e os voos. Porém, antes do embarque, ele revela a Zizit sua estratégia, e o mundo desta zelosa mãe cai. Maya terá que viajar sozinha com ele, usando o passaporte sueco verdadeiro da sua filha. Zizit estará no mesmo avião, mas ela terá que se sentar bem longe para que a criança não chore, e terá que usar um passaporte brasileiro. A mulher teme que algo dê errado, mas decide arriscar. Afinal, ela poderá manter um olho na sua filha o tempo todo, mesmo que seja de longe.
Zizit entrega Maya ao desconhecido. Com o coração apertado, ela segue logo depois para o aeroporto. Na fila da imigração, ela observa enquanto os dois passam e Maya desaparece de sua vista. Quando chega sua vez, o primeiro desastre. Os oficiais percebem que seu documento é falso e a impedem de embarcar. "Fiquei histérica. Fiquei louca", lembra Zizit. "Tirei minha filha da Síria, arrisquei a vida dela no mar e agora ela tinha ido embora! Minha filha tinha ido embora. Maya tinha ido embora. Eu não sabia nem o nome dele (do atravessador) ou onde ele morava”.
De volta às ruas da capital grega, Zizit chora por horas seguidas, vagando sem rumo por toda a cidade. Ela não sabe a quem pedir ajuda, e teme jamais ver sua filha outra vez. De repente, seu celular toca: era o atravessador. Desesperada, Zizit só consegue soluçar e implorar que ele devolva sua menina. "Gritei e chorei. Ele disse: 'relaxa. Sou humano, amo bebês, não se preocupe,” ela lembra. O homem tinha alimentado a garota e a colocado para dormir. Como prova, ele envia para a mãe uma foto de Maya pelo celular.
Mas o homem não pode ficar com a menina, ele precisa entregá-la para alguém que a mãe conheça o mais rápido possível. Esta pessoa tem que ser uma amiga, e não a policia, nem nenhum centro de refugiados, onde as pessoas fariam perguntas. Zizit vasculha sem parar sua memória, e grita de alegria quando se lembra de uma possível solução. Uma antiga paciente vive atualmente na Alemanha. Zizit consegue seu telefone e liga, implorando para que a mulher receba sua filha e cuide dela por um tempo.
Hasna, a antiga paciente, concorda em ajudá-la. No dia combinado, o atravessador deixa a menina do lado de fora da casa, e sai sem ser visto. "Meu filho pegou a criança na porta e a trouxe para dentro", lembra ela. "Quando eu vi essa pequena menina, me apaixonei. Foi como se ela fosse minha própria filha”. Nestes tempos difíceis, Hasna tenta alegrar Zizit, mandando fotos de Maya todos os dias.
A mãe respira aliviada sabendo que sua filha está a salvo, mas ainda tem um problema: ela não faz ideia de como chegar até a Alemanha. Uma semana depois, ela consegue outro atravessador e outro passaporte falso, desta vez italiano. Zizit toma um avião para a Austria, e de lá um trem para Dortmund, na Alemanha, onde está sua filha. Tudo parece correr bem, mas o pesadelo ainda não tinha acabado. Durante a viagem, um fiscal passa checando os passaportes. Quando Zizit entrega seu documento italiano, ele pede para ela falar algumas palavras no que deveria ser seu idioma materno. Exausta, Zizit desaba. "Perdi o controle. Disse a ele: 'sou da Síria, não sou italiana. Por favor, me ajude - preciso achar meu bebê'". O fiscal ficou surpreso, mas a conforta dizendo que ela estava a salvo, e que ele a ajudaria.
Zizit é encaminhada para um centro de refugiados em Munique, ainda a 640 km de distancia de Dortmund! Ela aguarda sua transferência até a outra cidade, mas a burocracia parece ser infinita. No limite de suas forças, esta mãe realiza um último ato de coragem para poder voltar a abraçar sua bebê. No meio da noite, ela foge do local, e vai de trem até a casa de Hasna. Quando ela finalmente chega no seu destino, Zizit abraça Maya por horas seguidas, afogada em lágrimas de alegria. Mas os 20 dias que as duas tinham passado longe uma da outra tinham tido um preço. “Olhei para Maya e notei que ela havia mudado, seu penteado estava curto e ela estava mais magra. Eu a beijei, ela acordou e começou a chorar. Éramos estranhas uma para a outra. Ela queria ir para Hasna, tentava chegar até ela e chorava. Mas pareceu reconhecer a minha voz de alguma forma", disse Ziẓit, que havia perdido cerca de 10 kg neste período.
Aos poucos, mãe e filha recuperaram a intimidade, e hoje ambas estão registradas como refugiadas em Dortmund. Enquanto aprende alemão, Zizit sonha em poder voltar a trabalhar como médica um dia.
Essa é realmente uma epopeia impressionante! Foi preciso muita coragem para enfrentar todos estes desafios, mas Zizit não desistiu perante nenhum deles. Contando com um pouco de ajuda e uma dose de sorte, ela recuperou sua filha e deu a ela a chance de crescer longe da guerra. Se a determinação, a coragem e o amor incondicional desta mãe também te tocaram, compartilhe esta história com todos que você conhece.
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